
Carl Spitzweg · PD
A carta de amor interceptada
Ficha técnica
A história
Na Alemanha do Biedermeier, as décadas após 1815, a vida pública era vigiada de perto e muitos pintores recolheram-se a pequenas cenas domésticas. Carl Spitzweg foi o grande humorista desse tempo. Aqui um estudante, reconhecível pelo boné, debruça-se de uma janela alta e faz descer por um fio uma carta de amor lacrada até a janela aberta do andar de baixo. A moça a quem ela se destina está curvada sobre a costura, alheia a tudo. Já uma mulher mais velha, tia ou dama de companhia, flagrou a carta deslizando e ficou paralisada de boca aberta. Spitzweg espalha piadas por todos os cantos, até um par de pombas que arrulha numa cornija enquanto o cortejo humano dá errado. Pintou isto por volta de 1860, já um antigo boticário autodidata que fizera uma carreira inteira desses pequenos infortúnios.


