
Adam Pynacker
1620–1673 · República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos · Barroco
A história
Por volta de meados do século XVII, todo um grupo de pintores holandeses vendia aos compradores de Amsterdã e Delft paisagens meridionais quentes e douradas, colinas banhadas por uma luz mediterrânea que em nada lembravam a terra plana e cinzenta onde viviam. Adam Pynacker pertenceu a essa segunda geração de paisagistas italianizantes, e o curioso é que nenhum documento prova que ele tenha algum dia cruzado os Alpes. A Itália de seus quadros talvez seja uma que ele montou a partir da pintura de outros.
O que distingue a sua mão é o modo como trata a luz e a folhagem. Gostava de recortar um tronco prateado ou um ramo cheio de folhas contra uma sombra profunda, e de deixar os galhos se retorcerem pela cena em ritmos inquietos, quase decorativos, longe da serena ordem clássica que seus rivais preferiam. Em várias de suas telas as folhas adquiriram, ao longo dos séculos, um estranho azul frio, porque uma velatura amarela aplicada sobre uma base azul se apagou, de modo que uma mata verde hoje se lê como azulada.
Pynacker trabalhou em Delft e Schiedam e encerrou a carreira em Amsterdã, pintando portos, margens arborizadas e viajantes por estradas do sul. Foi sepultado ali em março de 1673.
