
Jan van Eyck
1390–1441 · Países Baixos Meridionais · Pintura dos primitivos flamengos
A história
Jan van Eyck trabalhou para um dos homens mais ricos da Europa do século XV, Filipe, o Bom, duque da Borgonha, cujas terras se estendiam pelo que hoje são a Bélgica, a Holanda e o leste da França. Van Eyck era seu pintor de corte e camareiro, recebia um salário generoso e gozava de confiança muito além do ateliê. Em 1428, o duque o enviou ao sul, a Portugal, numa embaixada de casamento, e parte de sua missão ali foi retratar a noiva, Isabel, para que Filipe pudesse ver a mulher com quem estava arranjando o próprio casamento.
De volta a Bruges, ele aperfeiçoava algo que fazia seus quadros parecerem iluminados por dentro. Não inventou a tinta a óleo, mas aprendeu a construir uma imagem a partir de muitas camadas finas e transparentes, uma sobre a outra, de modo que a luz parecesse penetrar na cor e voltar a brilhar. Isso lhe permitiu renderizar um candelabro de latão, um espelho convexo e o pelo espesso de uma guarnição de pele com uma nitidez que nenhum pintor havia alcançado antes, mais famosamente no duplo retrato Arnolfini, de 1434.
Sua maior obra sobrevivente é o Retábulo de Gante, concluído em 1432, um grande conjunto de painéis dobráveis iniciado por seu irmão Hubert. A moldura traz uma inscrição que identifica Jan como quem o concluiu, e, no retrato Arnolfini, ele assinou a própria parede em caligrafia latina cursiva, dizendo que Jan van Eyck esteve ali, acima da data em que o pintou.




