
Uma pavana
Ficha técnica
A história
Em meados da década de 1890, o arquiteto Stanford White reformava em Nova York o apartamento de Whitelaw Reid, dono do jornal New York Tribune e mais tarde embaixador em Londres, nas Villard Houses da Madison Avenue. A sala de jantar tinha uns 21 metros de comprimento e uma lareira de mármore rosa-escuro feita pelo escultor Augustus Saint-Gaudens e pelo irmão, Louis. White pediu ao amigo Abbey uma tela para pendurar acima dela. Os Reid queriam algo que alegrasse uma sala escura, e White pensou primeiro num banquete. Abbey mandou dois esboços e sugeriu dançarinos. Em dezembro de 1895, Reid escreveu a White que uma cena de dança lhe agradava tanto quanto um banquete e que a mulher, achava ele, também ia gostar quando estivesse pronta.
Abbey pintou o quadro no seu ateliê em Fairford, no Gloucestershire. A pavana era uma dança de corte do Renascimento, lenta e solene, e ele enfileirou os pares como num friso entre árvores podadas, diante de uma tapeçaria estampada com toques de ouro, sobre um piso em espinha de peixe desenhado com todo o cuidado. Antes da entrega, a tela foi exposta em 1897 na mostra da Society of American Artists, em Nova York, e o crítico do New York Times escreveu que quase se ouvia o tilintar dos bandolins. Os Reid pagaram 5.000 dólares. O quadro deixou a casa quando o apartamento foi desmontado nos anos 1930, mas a sala de jantar e a lareira continuam lá, como parte do New York Palace Hotel.
