
Francisco Goya, La maja desnuda, 1800. Wikimedia Commons. · PD
A Maja Nua
Ficha técnica
A história
No fim do século 18, o homem mais poderoso da Espanha depois do rei era Manuel Godoy, primeiro-ministro e favorito da corte, e foi para o gabinete privado dele que Goya pintou esta mulher deitada, nua, encarando o espectador com absoluta calma. Godoy guardava a tela junto de outras pinturas de nus num aposento reservado, ao qual só amigos íntimos tinham acesso. Existe uma versão gêmea, com a mesma mulher na mesma pose, mas vestida, e acredita-se que uma podia ser exibida na frente da outra. O que torna esta obra ousada para a época não é apenas a nudez, mas o fato de a modelo não ser uma deusa nem uma ninfa: é uma mulher de carne e osso, com os pelos púbicos visíveis, algo quase inédito na pintura espanhola. Quando o governo de Godoy caiu, a Inquisição confiscou suas pinturas e convocou Goya para explicar quem encomendara aquelas imagens obscenas. A identidade da modelo nunca foi confirmada. Hoje as duas majas estão lado a lado no Museu do Prado, em Madri.





