
Natureza-morta com copos e tabaco
Ficha técnica
A história
O tabaco desta mesa atravessou o Atlântico, em boa parte vindo da colônia inglesa da Virgínia. Heda o pintou em 1633, no lado direito do painel, num cartucho de papel aberto, junto de longos cachimbos brancos de barro, de uma caixinha com tampa e de um pedaço de pavio grosso com a ponta em brasa pendurado na borda da toalha. Era com pavios assim, de queima lenta, que se acendiam os cachimbos. Cachimbos e tabaco tinham entrado nas naturezas-mortas de Haarlem só no fim da década de 1620, e aqui aparecem no meio de objetos de luxo, pois o vidro e a prata ao lado não custavam menos. Uma tazza de prata, taça de pé alto, tombou de lado. Um roemer verde continua cheio de vinho claro, e num prato de estanho há um limão meio descascado e um biscoitinho, com azeitonas em outro prato mais atrás. Heda manteve a mesa toda em verdes, cinzas e dourado apagado. No século 19 o painel estava numa coleção particular em Lugano, na Suíça, e em 2019 Eijk e Rose-Marie van Otterloo, colecionadores de Massachusetts, o doaram ao Museum of Fine Arts.


