
Papiro da greve
Ficha técnica
A história
Os trabalhadores que escavavam os túmulos dos reis em Tebas recebiam o salário em grãos. No 29º ano de Ramsés III, os grãos pararam de chegar. O museu situa o reinado entre 1187 e 1157 a.C., e foi esse mesmo rei quem mandou gravar nas paredes externas de seu templo em Medinet Habu as vitórias sobre os Povos do Mar e os líbios.
Este papiro registra o que aconteceu depois. Está escrito em hierático, a escrita cursiva do dia a dia da administração, e o museu aponta o escriba Amennakht como autor. "Ano 29, segundo mês da Inundação, dia 10. Hoje a turma passou pelo posto de controle gritando, estamos com fome!" Fazia 18 dias, naquele mês, que os homens iam se sentar atrás do templo funerário de Tutmés III. Funcionários vieram convencê-los. Os trabalhadores responderam que não estavam acostumados a ficar sem unguentos, peixe e verduras, e pediram que suas palavras fossem escritas e enviadas ao faraó e ao vizir, seu principal ministro.
É a greve mais antiga conhecida por um registro escrito, e a história não parou aí. Depois que parte dos grãos atrasados foi entregue, os homens voltaram a cruzar os braços.

