
A história
A maior parte do Hermitage ocupa o Palácio de Inverno, a residência barroca verde e branca dos czares russos à margem do Neva, em São Petersburgo. A coleção começou ali como um prazer privado. Em 1764 a imperatriz Catarina, a Grande, adquiriu 225 pinturas holandesas e flamengas que um comerciante de Berlim, Johann Gotzkowsky, reunira para o rei da Prússia, o qual, arruinado após uma longa guerra, nunca as pagou. Catarina pagou, e as pendurou em salas tão reservadas que as chamou de seu eremitério, um refúgio onde quase ninguém tinha permissão de entrar.
Dois séculos e meio de aquisições depois, é uma das maiores coleções de arte do mundo. Sobe-se a Escadaria de Jordão sob ouro e espelhos rumo às pinturas que atraem o público: O Retorno do Filho Pródigo de Rembrandt, as mãos do velho pai pousadas nas costas do filho esfarrapado, e duas pequenas Madonas de Leonardo da Vinci, a Benois e a Litta, pintadas em sua juventude. Numa das salas, um Relógio do Pavão em tamanho natural, um autômato inglês do século 18, ainda abre sua cauda dourada quando lhe dão corda.
O edifício passou por muita coisa. Um incêndio devastou o palácio em 1837, a revolução de 1917 varreu o último czar dessas salas, e quando as forças alemãs sitiaram Leningrado em 1941 a equipe engradou mais de um milhão de objetos e os enviou para leste, aos Urais, deixando as molduras vazias penduradas nas paredes. Os guias faziam visitas guiadas a essas molduras vazias durante todo o cerco. As obras voltaram quando ele terminou, e os gatos mantidos nos porões para caçar ratos, tradição que remonta aos tempos de Catarina, ainda constam da folha de pagamento.


