
Johannes Vermeer, View of Delft, 1661. Wikimedia Commons. · PD
Vista de Delft
Ficha técnica
A história
Sete anos antes de Vermeer montar seu cavalete diante deste canal, Delft tinha sido rasgada ao meio. Em outubro de 1654, um paiol com quase 40 toneladas de pólvora explodiu no centro da cidade, matou centenas de pessoas e destruiu bairros inteiros. Entre os mortos estava Carel Fabritius, pintor de talento raro que muitos consideram mestre do próprio Vermeer. Quando ele retrata a cidade, por volta de 1661, nada daquele trauma aparece. Vê-se Delft do lado sul, do outro lado do rio, numa manhã de nuvens baixas. A luz cai primeiro sobre as torres ao fundo e deixa as construções da frente ainda na sombra, com os telhados escuros de chuva recente. O escritor Marcel Proust chamou a atenção para um pequeno trecho de parede amarela à direita e passou a considerá-la a mais bela pintura do mundo. As torres que se reconhecem são as da Nieuwe Kerk e da porta de Rotterdam, refletidas na água quase parada. É uma das duas únicas paisagens urbanas que Vermeer deixou.




