
Cupido e Psiquê
Ficha técnica
A história
Em 1817, dois pintores franceses, em dois países diferentes, escolheram o mesmo instante da mesma história. No relato do escritor romano Apuleio, Cupido visita Psiquê só no escuro, proíbe que ela o olhe e vai embora antes do amanhecer. Jacques-Louis David, exilado em Bruxelas, pintou o deus saindo da cama com um sorriso maroto, um adolescente desengonçado. Em Roma, o jovem François-Édouard Picot pintava a sua própria versão e a assinava embaixo, à direita, Picot. Rome. 1817.
O Cupido de Picot é o oposto do de David, um rapaz esguio, de membros lisos e asas abertas, que se afasta na ponta dos pés para não acordá-la, com um braço erguido para a pesada cortina vermelha. Atrás dele, Psiquê dorme no leito, e além das colunas o dia mal começa a clarear. A tela tem quase três metros de largura.
Ela foi exposta no Salão de Paris de 1819 e doada ao Louvre em 1927. Está na sala Daru, entre os quadros neoclássicos, na mesma sala da pintura de Prud'hon em que os ventos levam Psiquê.

