
Natureza-morta com aspargos
Ficha técnica
A história
Por volta de 1867, pintar um maço de aspargos e nada mais era uma discreta tomada de posição. Em torno de Courbet e do crítico Champfleury, os realistas vinham defendendo havia uma década que as coisas comuns, uma mesa de cozinha, uma refeição modesta, mereciam a mesma seriedade antes reservada aos santos e às batalhas. Bonvin pertencia a esse círculo e admirava Chardin, o mestre do século XVIII que tratara os humildes utensílios de cozinha com essa mesma gravidade. Aqui os aspargos repousam sobre uma superfície nua, sob luz uniforme, descritos com cuidado e sem floreios, com os talos pálidos e as pontas cortadas. Era o tipo de tema que a época aprendia a levar a sério. Manet só pintaria seu famoso maço de aspargos 13 anos depois, em 1880.