
Yelkrokoyade · CC-BY-SA-4.0
Autorretrato
Ficha técnica
A história
Calouste Gulbenkian, o magnata do petróleo, comprou este autorretrato em Paris em 1937, e hoje ele está no museu que leva o seu nome, em Lisboa. Nele, Degas ergue a cartola num cumprimento, segurando na mesma mão um par de luvas claras, com a outra enfiada no bolso da calça. A pintura é de cerca de 1863. No fim daquele ano, o poeta Charles Baudelaire publicou no jornal Le Figaro o ensaio “O pintor da vida moderna”, em que descreve o flâneur, o passeante elegante que observa a multidão e ao mesmo tempo se deixa ver. É bem esse o papel que Degas assume aqui. Ao mesmo tempo, o quadro olha para trás. Para o museu, as luvas são uma homenagem a Ticiano e ao seu “Homem com luva”, que está no Louvre, e a parede aberta para uma paisagem, à direita, vem do retrato renascentista. Dos cerca de 15 autorretratos que Degas pintou nas décadas de 1850 e 1860, só dois o mostram de meio corpo.




