
Natureza-morta com uvas, maçãs e ameixas
Ficha técnica
A história
O jarro vermelho à direita é um búcaro, barro sem vidrado trazido de Tonalá, na Nova Espanha. O barro poroso esfriava a água guardada dentro e lhe dava cheiro, e na corte de Madri as mulheres mastigavam lascas dessa cerâmica, que se acreditava clarear a pele. Quem pintava em Madri por volta de 1630 podia pôr um desses sobre a pedra e ser entendido na hora.
O resto do quadro é bem menos firme. O museu data a tela de cerca de 1630 sem documento que sustente a data, e o primeiro registro seguro só aparece em 1745, quando ela estava na casa de campo de Felipe V, nos arredores de Madri. Do pintor não se conhece nem o ano de nascimento nem o de morte. O nome dele aparece em papéis madrilenos de 1628 e de 1659, e no século 17 houve pelo menos três pintores espanhóis chamados Juan de Espinosa, cujas obras ainda estão sendo separadas umas das outras. A atribuição se apoia numa assinatura lida na tela em 1872 e ilegível desde então, e numa natureza-morta quase igual que o Louvre comprou em 1973, essa sim assinada.
Embaixo, seis maçãs repousam num prato de metal, e as uvas estão penduradas em cordéis, do jeito que Sánchez Cotán havia pendurado marmelos no vão de uma janela uma geração antes.