
O cego tocando viela de roda
Ficha técnica
A história
Girar a manivela de uma viela de roda com uma das mãos e apertar as teclas com a outra era um dos poucos ofícios ao alcance de um cego. O som não para enquanto a roda raspa as cordas. La Tour pintou o velho de perfil, no meio do trabalho.
A tela saiu da Lorena, que naquele tempo ainda era um ducado independente. O museu não arrisca uma data e fica entre 1620 e 1630.
Nada foi suavizado. As rugas, a cabeça calva, a barba por fazer, os cílios compridos que deixam a órbita vazia ainda mais à vista, as mãos grossas de quem trabalhou pesado antes de perder a visão. Na tampa da roda há uma fitinha amarela atada. É pintura de luz do dia, e o museu a tem como a última vez em que ele tratou o assunto assim.
O que sobrou é um recorte. O restaurador verificou que a tela fora cortada de uma composição maior, com as bordas antigas dobradas sobre o chassi. O Prado comprou esse pedaço num leilão em Londres, em dezembro de 1991, por 1.870.000 libras, com dinheiro que um particular deixara ao museu para compras.




