
Théodore Géricault · PD
A Jangada da Medusa
Ficha técnica
A história
Em julho de 1816, a fragata francesa Méduse encalhou num banco de areia na costa da África, por culpa de um capitão nomeado por favorecimento e sem experiência no mar. Faltaram botes para todos, e cerca de 147 pessoas foram amontoadas numa jangada improvisada e abandonadas à deriva. Depois de treze dias de fome, sede, brigas e até canibalismo, apenas quinze estavam vivas quando um navio as encontrou. O caso virou escândalo político, pois expôs a incompetência do governo recém-restaurado da monarquia. Géricault, então com vinte e poucos anos, decidiu transformar esse episódio recente num quadro gigantesco, de quase cinco por sete metros, tamanho reservado normalmente a temas heroicos ou religiosos. Ele entrevistou sobreviventes, estudou cadáveres em necrotérios para pintar a cor da morte e escolheu o instante em que os náufragos avistam ao longe um navio no horizonte. Repare na pirâmide de corpos: na base, os mortos e os que já desistiram. No topo, um homem negro agita um pano para chamar o navio, num gesto de esperança sobre uma montanha de desespero. Quando a tela foi exposta no Salão de Paris, em 1819, dividiu o público entre os que a acharam sediciosa e os que a saudaram como algo novo e corajoso.




