
A história
Entre os menores quadros do Victoria Memorial, em Calcutá, está um dos mais carregados de sentido. Bharat Mata, Mãe Índia, é uma aquarela pintada em 1905 por Abanindranath Tagore, menor que uma folha de papel de carta. Uma mulher com veste cor de açafrão segura nas quatro mãos um livro, feixes de arroz, um pano branco e um rosário de oração. Tagore a chamou primeiro de Mãe Bengala, e a imagem foi adotada pelo movimento Swadeshi, a campanha de boicote aos produtos britânicos. Que hoje ela pertença a um monumento erguido para a rainha Vitória faz parte da própria história do edifício.
O memorial foi ideia de lorde Curzon, vice-rei da Índia, depois da morte da rainha em janeiro de 1901. Projetado pelo arquiteto William Emerson e revestido de mármore branco de Makrana, no Rajastão, foi iniciado em 1906 e inaugurado em 1921, entre jardins no Maidan, o grande parque aberto no centro da cidade.
As galerias contam a história de Calcutá e do domínio britânico na Índia. O acervo é especialmente rico em pinturas e gravuras de Thomas e William Daniell, tio e sobrinho que percorreram a Índia no fim do século XVIII. Há retratos de Johan Zoffany e de Joshua Reynolds, entre eles o que Reynolds fez de John Zephaniah Holwell, o funcionário que escreveu o relato mais conhecido do Buraco Negro de Calcutá, em 1756.
