
James McNeill Whistler · PD
Nocturno em azul e prata: a lagoa, Veneza
Ficha técnica
A história
Em cerca de 15 meses em Veneza, Whistler fez mais de 50 águas-fortes e uns 90 pastéis, e só três pinturas a óleo, pela contagem do museu. Esta é uma delas. Ele se postou perto da Piazzetta, junto aos Jardins Reais, e olhou à noite para sudeste, por cima da água. À direita, a torre e a igreja de San Giorgio Maggiore se erguem como uma silhueta apagada, algumas gôndolas flutuam meio visíveis e as luzes do Lido riscam uma linha fina no horizonte.
Esse brilho tem uma causa bem prática. Uma restauradora que examinou a tela em Boston em 2007 encontrou no verso uma preparação e o começo de outra pintura. Ao que tudo indica, Whistler virou a tela e pintou no lado áspero, sem preparação, com camadas finas de cinza azulado que afundam na trama e deixam a cor de baixo aparecer no alto dos fios. Depois esfregou a tinta para que barcos e igreja se dissolvessem no escuro.
O quadro nunca foi mostrado em vida do pintor. A cunhada dele contou mais tarde que Carmen Rossi, uma modelo que posou para ele por muitos anos, o tinha levado do ateliê de Paris. Nada foi provado, e Whistler, que gostava dela, nunca tomou providências contra ela. A tela foi a leilão em Paris em novembro de 1903, quatro meses depois da morte dele, como o primeiro lote da venda.




