
Salvator Mundi
Ficha técnica
A história
Por volta de 1510, os pintores dos Países Baixos já tinham trocado havia muito os fundos dourados por céus e interiores de verdade. Aqui Joos van Cleve volta ao ouro. O Louvre vê nisso um arcaísmo à maneira de Van Eyck, raro na obra dele e desconhecido entre seus copistas, e esse fundo solene sugere que o quadro ocupava o centro de um conjunto, talvez um pequeno tríptico para devoção particular, com santos nas abas laterais.
Cristo abençoa com a mão direita e apoia a esquerda no globo do mundo, uma esfera de cristal transparente encimada por uma cruz de ourivesaria. Dentro dela aparece um litoral rochoso sob um céu escuro, paisagem que o museu aproxima de Bosch e de Patinir, e na curva de cima brilha o reflexo de uma janela. É o detalhe que o Louvre destaca, a luz que vem de fora e entra no mundo que Cristo segura, como uma abertura para o além.
O painel é de cerca de 1516 a 1518, os anos de maturidade do pintor em Antuérpia. Em 2023 foi emprestado ao Museu de Cluny, em Paris, para uma exposição dedicada ao cristal de rocha.




