Quando a primeira galeria pública de pintura abriu em Atenas, em 1878, ela tinha 117 quadros, e a maior parte era de artistas estrangeiros. A Galeria Nacional só foi criada pela lei de 10 de abril de 1900, e um ano depois recebeu a coleção de Alexandros Soutsos, que tinha deixado a sua fortuna para a criação de um museu de pintura. Em 1954 o legado Soutsos foi incorporado à galeria, e o nome dele passou a fazer parte do nome completo da instituição.

Os gregos do século XIX aprenderam a pintar em Munique, porque o rei da Grécia, Oto, era bávaro, e quase todos os pintores gregos daquele século passaram pela Academia de Munique. Alguns voltaram e foram ensinar em Atenas, outros ficaram na Alemanha e pintaram a aldeia grega de memória. A lista começa com um cretense que foi para Veneza, depois para Toledo, e nunca mais voltou à terra natal, e termina com um quadro pintado por volta de 1925 no pátio de uma casa de ilha, no calor do verão.

1. O Sepultamento de Cristo — El Greco

O Sepultamento de Cristo
O Sepultamento de CristoEl Greco, 1570, Galeria Nacional de Atenas

O ícone Paixão de Cristo, sobre fundo de ouro, que o jovem Domenikos Theotokopoulos pintou em Cândia, foi avaliado e vendido em dezembro de 1566 por 70 ducados de ouro. Cândia, a atual Heraklion, era a principal cidade de Creta, a ilha pertencia então a Veneza, e, segundo o catálogo que a Galeria Nacional publicou em 2014, era mais ou menos o que custava em Veneza um quadro de Ticiano ou de Tintoretto. O ícone em si se perdeu. Pouco depois o pintor partiu para Veneza, em 1570 se mudou para Roma e de lá para a Espanha, onde passaram a chamá-lo de El Greco, “o Grego”. Morreu em Toledo em 1614, nunca voltou a Creta e a vida inteira assinou em letras gregas.

O Sepultamento também nunca tinha estado na Grécia antes de ser comprado. A história do painel foi reconstituída por Michalis Doulgeridis, chefe do departamento de restauração da galeria. No verso está o brasão da família Ledesma de la Fuente, que recebeu do rei da Espanha o título de conde em 1710, depois o painel passou por uma coleção mexicana e pelas mãos de um colecionador francês do século XIX, e Doulgeridis não informa quando nem como ele mudou de dono. Em janeiro de 1995 foi vendido num leilão da Christie’s em Nova York, logo depois estava com o marchand londrino Derek Johns, e por volta de 2000 a galeria o comprou, segundo Doulgeridis, por 700 mil dólares. O dinheiro veio de uma campanha de arrecadação em toda a Grécia, de contribuições de empresas estatais, da Fundação Onassis e de recursos da própria galeria.

A galeria data o painel de cerca de 1568–1570, o período veneziano do pintor. Da pintura de ícones, segundo o museu, ficaram nele apenas o suporte de madeira e a têmpera de ovo, e o pintor misturou a têmpera com óleo, como faziam os venezianos. Montou a composição a partir de duas gravuras, a Deposição da cruz de Parmigianino e o Sepultamento de Battista Franco. O sarcófago de pedra branca está posto na diagonal, com um canto voltado para o espectador, para levar o olhar para o fundo. Cristo está sentado na borda dele, pálido e pesado, com a cabeça caída sobre o ombro, os olhos fechados, o braço esquerdo pendente e o pé descalço apoiado no chão. À esquerda, um homem de marrom, com um pano branco na cabeça, se curva de costas para nós e puxa o sudário por cima da borda do túmulo. Atrás do corpo, entre as mulheres, a Virgem de véu verde-acinzentado joga a cabeça para trás, e o museu escreve que ela está desmaiando. Diante do sarcófago, no chão, estão a coroa de espinhos e três pregos escuros.

À direita, um pouco afastado dos outros, um jovem de manto laranja-fogo está de pé, de cabeça baixa. É São João Evangelista, e ele entrou na composição depois das outras figuras. Os restauradores da galeria examinaram o painel com raios infravermelhos e viram que o pintor concluiu a primeira etapa do trabalho e só então resolveu acrescentar João. Doulgeridis observa que essa figura não aparece em nenhuma das gravuras conhecidas que El Greco usou.

O Sepultamento de Cristo
O Sepultamento de CristoEl Greco, 1570, Galeria Nacional de Atenas

2. O concerto dos anjos — El Greco

O concerto dos anjos
O concerto dos anjosEl Greco, 1600, Galeria Nacional de Atenas
A Anunciação
A AnunciaçãoEl Greco, 1614, Fundación Banco Santander

O concerto dos anjos era a parte de cima de uma Anunciação. Em 1608 El Greco recebeu a encomenda dos altares da igreja do Hospital de Tavera, em Toledo, a Anunciação se destinava ao altar lateral direito, e quando o pintor morreu, em 1614, os quadros para o hospital ficaram inacabados. Ao que parece, no fim do século XIX a tela foi cortada. A parte de baixo, com a Virgem e o arcanjo Gabriel, está em Madri, na coleção do Banco Santander, e para Atenas veio o céu acima deles.

O colecionador e marchand húngaro Marcell Nemes foi um dos que redescobriram El Greco no começo do século XX e compraram quadros dele na Espanha. Ele morreu em 1930, e em junho de 1931 a sua coleção foi a leilão em Munique. Ali o Estado grego comprou a longa faixa de tela com os anjos músicos por 5.900.775 dracmas, e a galeria considera essa compra a mais importante dos anos em que foi dirigida pelo escritor Zacharias Papantoniou.

O concerto dos anjos
O concerto dos anjosEl Greco, 1600, Galeria Nacional de Atenas

Os anjos não têm asas, e o museu faz questão de registrar isso. Estão de pé e sentados sobre nuvens, contra um céu escuro verde-acinzentado, e o museu enumera os seus instrumentos, uma espineta, uma harpa, uma flauta e uma viola da gamba. A espineta, ao que parece, foi quase toda cortada pela borda esquerda, e dela só se vê a tampa de madeira escura, onde pousou a mão o anjo da ponta, vestido de rosa-lilás. Ao lado, um anjo de cabelo cacheado, de verde-amarelado, segura um livro de música aberto com notas quadradas, no centro se ergue uma harpa alta, mais à direita um anjo de branco prateado, de costas para nós, leva a flauta aos lábios, e junto à borda direita um anjo de azul-claro olha para cima e segura a viola, cujo corpo claro ocupa o canto inferior direito. As roupas são pintadas em longas faixas de luz, e a cor muda dentro de uma mesma dobra, do rosa ao branco, do verde ao amarelo. O museu considera a tela inacabada. Embaixo, entre as nuvens, pequenos putti nus se debatem, e a borda inferior da tela passa bem no meio deles, no ponto em que a faixa foi separada da Anunciação.

3. Episódio da Guerra da Independência da Grécia — Eugène Delacroix

Episódio da Guerra da Independência da Grécia
Episódio da Guerra da Independência da GréciaEugène Delacroix, 1856, Galeria Nacional de Atenas

Um insurgente grego de fustanela branca galopa num cavalo creme-claro, e o cavalo, no salto, encolheu as patas dianteiras. O cavaleiro usa um gorro vermelho envolto num lenço amarelo, as pontas do lenço e o manto verde forrado de vermelho esvoaçam atrás dele, e junto às rédeas ele segura uma pequena arma de cabo prateado, ao que parece uma pistola. Sob os cascos, ao longo da borda inferior da tela, jaz de bruços um turco morto de turbante branco. À direita, um grego a pé, de costas para nós, atira com uma espingarda comprida na direção de uma torre redonda em ruínas, envolta em fumaça branca de pólvora, e ao lado, no chão, estão dois cavalos mortos. O museu chama o quadro de anti-heroico e antiépico e vê no cavaleiro a encarnação de um ideal.

Delacroix ficou famoso na década de 1820 com temas gregos. Expôs o Massacre de Quios no Salão de 1824 e pintou A Grécia sobre as ruínas de Missolonghi em 1826. A insurreição grega era então um dos temas mais presentes na vida artística e pública de Paris. Delacroix nunca esteve na Grécia. Pintou esta tela em 1856, 30 anos depois da guerra, já como mestre consagrado, e no mesmo ano pintou outra parecida, com um cavaleiro grego e um turco que se rende, que pertence aos museus de arte de Harvard. A assinatura e a data estão no canto inferior direito, “Eug. Delacroix / 1856”.

Em 1978 o quadro apareceu num leilão em Paris, e o Estado grego o comprou com a participação dos armadores Vassilis Goulandris e Stavros Niarchos. A televisão grega ERT noticiou na época que o preço foi de cerca de 3,7 milhões de francos e que entre os concorrentes no leilão estava o ator Alain Delon.

4. Kanaris incendeia o navio-almirante turco — Ivan Aivazovsky

O incêndio do navio-almirante turco por Kanaris
O incêndio do navio-almirante turco por KanarisIvan Aivazovsky, 1881, Galeria Nacional de Atenas

Na primavera de 1822 as tropas turcas massacraram a população de Quios, o mesmo massacre que Delacroix pintaria dois anos depois, e em junho a frota turca estava ancorada diante da ilha, celebrando o Bairam, o fim do Ramadã. Na noite de 18 para 19 de junho, dois brulotes gregos, barcos carregados de material inflamável, se aproximaram dela. Konstantinos Kanaris, da ilha de Psará, prendeu o seu brulote ao navio-almirante do kapudan paxá Nasuhzade Ali Paxá, comandante da frota otomana, ateou fogo e escapou num bote. O fogo chegou ao paiol de pólvora, e o navio explodiu. Pela contagem habitual morreram cerca de 2.000 pessoas, e o kapudan paxá, ferido de morte, morreu em terra. Mais tarde Kanaris se tornou almirante, chefiou o governo várias vezes e morreu em 1877.

Aivazovsky pintou essa noite em 1881, 59 anos depois. Em 1822 ele tinha cinco anos e morava em Feodósia. No quadro, o céu, o mar e os rochedos são de um azul-lilás frio, e só à esquerda do centro arde uma chama amarelo-alaranjada. O navio de três mastros com bandeiras vermelhas está com a popa voltada para o espectador, o fogo irrompe da proa junto com pedaços de madeira, as faíscas voam mais alto que a mastreação, e o canto superior esquerdo está tomado de fumaça negra. À direita, cortado pelas bordas da tela, um bote se afasta com umas seis pessoas. Uma delas está de pé, de camisa branca e faixa vermelha na cintura, e olha para cima, para o fogo, e do incêndio até o bote se estende sobre a água um rastro dourado. O ponto de vista é baixo, na altura dos remadores.

No registro da galeria o quadro consta como doação da Escola Politécnica. A partir de 1841 eram levados para lá os quadros que pertenciam ao Estado, e é provável que a tela de Aivazovsky tenha chegado à galeria em 1900, quando a Politécnica os transferiu para o novo museu. Os pesquisadores não descobriram como o quadro foi parar na própria Politécnica. Quando Aivazovsky morreu em Feodósia, em 1900, estava no seu cavalete uma Explosão do navio inacabada, e nela Kanaris faz explodir outra vez o navio-almirante turco diante de Quios.

5. O êxodo de Missolonghi — Theodoros Vryzakis

O êxodo de Missolonghi
O êxodo de MissolonghiTheodoros Vryzakis, 1853, Galeria Nacional de Atenas

Petros, o pai de Theodoros Vryzakis, foi enforcado pelos turcos em 1821, o primeiro ano da revolta, e a galeria começa a biografia do pintor chamando-o de órfão da Guerra da Independência. Menino, ele viveu num orfanato na ilha de Egina, em 1832 foi levado para Munique, para a escola de órfãos gregos fundada pelo rei Luís I da Baviera, e em 1844 entrou na Academia de Munique. Para o ano do seu nascimento a galeria dá duas datas, 1814 ou 1819. Vryzakis pintou os seus quadros da guerra quase sempre na Baviera, de memória, a partir de gravuras e dos estudos que fez na Grécia entre 1848 e 1851.

As tropas turcas e egípcias sitiaram Missolonghi durante um ano inteiro. Na primavera de 1826 a fome tomou conta da cidade, e na noite de 22 para 23 de abril, véspera do Domingo de Ramos, a guarnição e os habitantes tentaram juntos romper o cerco. Os turcos souberam do plano com antecedência, e muitos morreram ao sair da cidade.

Vryzakis pintou o Êxodo em Munique em 1853, numa tela alta de topo arredondado, e a dividiu em duas zonas, a celeste e a terrena. No alto, sobre uma nuvem, Cristo está sentado num trono, de braços bem abertos, rodeado de anjos com coroas de louros e ramos de palmeira. Embaixo, os combatentes se lançam ao ataque por uma ponte de madeira, e o chefe deles, de fustanela branca, ergue um sabre curvo sob uma bandeira branca com cruz azul. Entre os homens, uma jovem de fez vermelho aponta o fuzil, à direita um homem com uma faca entre os dentes pula o muro segurando uma bandeira vermelha com um crescente no alto da haste, e sob a ponte jazem mulheres e crianças caídas, e uma mãe aperta o bebê contra o peito. O museu escreve que a composição se desenvolve na vertical, sem profundidade, e pela construção o quadro lembra um ícone. Segundo o museu, em 1853 ele recebeu o primeiro prêmio em Viena.

Vryzakis pintou esse tema três vezes, e só esta tela sobreviveu. Segundo Katerina Spetsieri-Beschi, estudiosa da sua obra, a tela foi comprada pelo rei Luís I da Baviera, depois saiu da coleção de Munique, passou por mãos particulares e foi parar na embaixada grega em Roma, onde Spetsieri-Beschi a encontrou em 1977. Os documentos conhecidos não registram quando nem como ela passou para a galeria.

As outras duas versões, também segundo ela, queimaram em 1929, quando a prefeitura de Missolonghi foi incendiada. A imagem, no entanto, se salvou, porque em 1856 tinha sido feita em Paris uma litografia do quadro. Depois do incêndio, Angelos Kasolas, então com 23 anos, pintou a partir dessa litografia uma cópia para Missolonghi, e essa cópia, venerada como o Santo Ícone do Êxodo, é levada todos os anos em procissão pela cidade.

O êxodo de Missolonghi
O êxodo de MissolonghiTheodoros Vryzakis, 1853, Galeria Nacional de Atenas

6. Retrato da senhora Serpieri — Nikiforos Lytras

Retrato da senhora Serpieri
Retrato da senhora SerpieriNikiforos Lytras, 1869, Galeria Nacional de Atenas

Clémence Serpieri está de pé, de corpo inteiro e em tamanho natural, numa tela de quase dois metros e meio de altura. Este retrato de 1869 é o mais solene que Lytras pintou. Ela usa um vestido de veludo cor de vinho escuro, de ombros nus, a cauda escorre para o canto inferior esquerdo, as dobras iluminadas da saia ardem num vermelho vivo, e o resto do veludo é quase preto. Sobre os braços está lançado um xale de renda preta, no cabelo brilham três pequenas estrelas cravejadas de pedras, no pescoço há um colar de pérolas de duas voltas, e na mão direita, abaixada, um leque meio aberto. À esquerda se ergue uma enorme coluna canelada, como manda o retrato de aparato, e no tapete oriental, junto à barra do vestido, está caída uma única rosa branca. Ela olha direto para o espectador, calma e sem sorrir.

Era mulher de Giovanni Battista Serpieri, engenheiro metalúrgico italiano que em 1864, com sócios de Marselha, fundou uma companhia para extrair prata e chumbo em Lavrion, ao sul de Atenas. A companhia se dedicava sobretudo a refundir as escórias deixadas pelas minas da Antiguidade. Em Atenas, Serpieri tinha um palacete na rua Panepistimiou, e o italiano e a sua mulher de nome francês pertenciam à elite da nova sociedade ateniense que Lytras retratava.

Nikiforos Lytras nasceu em 1832 em Pyrgos, na ilha de Tinos, estudou na Escola de Artes de Atenas e em 1860 foi para Munique, onde estudou na academia com Karl von Piloty. Em 1865 voltou para Atenas, a partir de 1866 ensinou pintura nessa mesma Escola de Artes e ficou na cátedra quase 40 anos, até morrer, em 1904. A galeria o chama de pai da pintura grega moderna. Foram alunos dele Altamouras e Jakobides, de quem falaremos adiante, e o seu filho Nikos, também pintor, pintou o último quadro desta lista.

No registro da galeria consta que o retrato foi doado por Ioannis V. Serpieri, um membro da família. Em 2011 ele foi mostrado numa exposição de tesouros desconhecidos das coleções da galeria, e a diretora da galeria, Marina Lambraki-Plaka, o escolheu como o quadro principal da mostra. A revista LiFO conta que a moldura dourada do retrato foi encomendada no exterior e é tão pesada que foram necessárias oito pessoas para pendurar o quadro.

Retrato da senhora Serpieri
Retrato da senhora SerpieriNikiforos Lytras, 1869, Galeria Nacional de Atenas

7. Caíque em Spetses — Ioannis Altamouras

Caíque em Spetses
Caíque em SpetsesIoannis Altamouras, 1877, Galeria Nacional de Atenas

No canto inferior direito deste quadro pequeno, Ioannis Altamouras escreveu em grego o lugar e o dia: Spetses, 16 de junho de 1877. No meio está um veleiro de pano redondo, embora em grego se chamasse caíque qualquer barco de trabalho a vela. Todas as velas pendem amassadas e murchas, como em tempo de calmaria, e só a mais baixa e maior está iluminada por uma luz quente, creme e ocre. O mar é liso e pálido. Junto ao costado há dois homens num bote escuro, e um deles, de camisa branca, está sentado aos remos, atrás da popa flutua um escaler vazio, e através da camada fina de tinta do céu aparece a trama da tela. Junto à borda direita, no terço superior, há sobre o céu um pequeno retângulo opaco verde-oliva e ocre, que não faz parte da imagem e parece um retoque posterior ou uma lacuna preenchida.

Altamouras nasceu em 1852 na Itália, filho do pintor napolitano Francesco Saverio Altamura e da grega Eleni Boukoura, de uma família de armadores da ilha de Spetses. Os pais se separaram, e por volta de 1857 a mãe levou os filhos para Atenas. Em 1871–1872 ele estudou na turma de Nikiforos Lytras, e em 1873–1876 em Copenhague, na Academia Real, com o pintor de marinhas Carl Frederik Sørensen, com uma bolsa real (segundo o Museu Benaki, concedida pelo rei Jorge I, ele mesmo um príncipe dinamarquês). Em 1876 Altamouras voltou doente de tuberculose, instalou-se em Spetses, a ilha natal da mãe, e ali pintou navios. Morreu em Spetses em 1878, aos 26 anos.

A mãe dele, Eleni Boukoura-Altamoura, é chamada de primeira pintora grega com formação acadêmica, e ela mesma se tornou uma figura quase lendária. Conta-se que na Itália as mulheres não eram admitidas no estudo da pintura e que, para poder estudar, ela cortou o cabelo e se fez passar por homem. A história ficou especialmente conhecida com o romance de Rhea Galanaki Eleni, ou Ninguém, publicado em 1998. Numa exposição no Museu Benaki, em 2011, foi mostrado um autorretrato dela com uma roupa parecida com um hábito de freira, de cabelo bem curto e aliança no dedo. A filha, Sofia, morreu em 1872, o filho em 1878, e, segundo outra tradição, depois da morte deles Eleni queimou os próprios quadros. A curadora daquela exposição, Eleni Kypreou, pensa de outro modo e acredita que os quadros e os papéis foram queimados por parentes quando esvaziaram a casa de Spetses, depois da morte de Eleni, em 1900.

Caíque em Spetses
Caíque em SpetsesIoannis Altamouras, 1877, Galeria Nacional de Atenas

8. Recolhendo as redes — Konstantinos Volanakis

Marina Lambraki-Plaka, que dirigiu a Galeria Nacional, contou à revista LiFO que em 2002 a galeria comprou este quadro por um preço vantajoso. Quem costuma comprar Volanakis são os armadores gregos, e eles, segundo ela, preferem quadros com navios e se interessam menos por pescadores num barco velho.

Recolhendo as redes
Recolhendo as redesKonstantinos Volanakis, 1871, Galeria Nacional de Atenas

O barco está à direita do centro, pesado e gasto, e aparece como uma silhueta quase preta, porque a luz vem do fundo do quadro, do horizonte, onde o dia começa a nascer sobre o mar. No barco há cinco homens. Um pescador de braços nus se inclina sobre a rede, outro está deitado tão baixo que só se veem a cabeça e as costas, a cabeça do único que está de pé, de chapéu de aba larga, fica um pouco acima da linha do horizonte, o quarto se debruça sobre a borda e puxa a rede, e na popa está sentado um homem pequeno, de gorro, atrás de um jarro de vidro azul. Do costado pende a rede molhada, acima da popa uma verga com a vela rasgada se projeta em diagonal para o alto, e não há no quadro diagonal mais forte que essa. À esquerda, afastado, está um navio de pano redondo, e as nuvens são cinza-pérola e creme, amarelo-pálidas junto ao horizonte. No canto inferior esquerdo está a assinatura “C. Bolanachi München 71”, ou seja, o quadro foi pintado em Munique, longe de qualquer mar, em 1871.

Volanakis nasceu em 1837 em Heraklion, em Creta, e na juventude trabalhou como guarda-livros na casa comercial do cunhado, Georgios Afendoulis, em Trieste. Os jornais gregos recontam a história de como Afendoulis encontrou navios desenhados nos livros de contabilidade e depois disso pagou os estudos dele. Em 1864 Volanakis entrou na Academia de Munique, na turma de Piloty, alguns anos depois venceu um concurso austríaco para um quadro sobre a batalha naval de Lissa, e esse quadro foi comprado pelo imperador Francisco José. A galeria inclui Recolhendo as redes entre os primeiros impulsos impressionistas da pintura grega e o considera um dos quadros mais livres de Volanakis. Ele só voltou para a Grécia em 1883, instalou-se no Pireu e em 1895 abriu ali a sua própria escola.

9. O noivado das crianças — Nikolaos Gyzis

O noivado das crianças
O noivado das criançasNikolaos Gyzis, 1877, Galeria Nacional de Atenas

O padre da aldeia, de batina preta, já pôs o anel no dedo do menino e, como descreve o museu, estende a palma aberta para a menina, para que ela pegue o dela. O menino, de jaqueta vermelha e calças largas brancas, olha confuso para a própria mão, apertada contra o peito, e a menina, toda de branco, com um gorrinho, baixou os olhos e estende a mão para o livro aberto sobre uma mesinha. As crianças estão no meio de um cômodo baixo de casa de aldeia, e os adultos, sentados e de pé, as rodeiam em semicírculo. À direita gargalha um homem de bigode com uma cabaça redonda, onde, segundo o museu, está o vinho para o brinde. Os homens à esquerda trocam olhares e sorrisos maliciosos, na porta se apinham mulheres de lenço branco, e no canto inferior esquerdo uma jovem de colete bordado se inclina sobre o berço onde dorme um bebê.

O museu explica o costume assim: as crianças eram prometidas cedo, talvez para protegê-las do devshirme, o recrutamento em que as autoridades otomanas levavam meninos cristãos e os criavam para serem janízaros e funcionários.

Nikolaos Gyzis nasceu em 1842 na aldeia de Sklavochori, em Tinos, aos oito anos se mudou com a família para Atenas e estudou na Escola de Artes. Em 1865 foi para Munique com uma bolsa da fundação da Evangelistria, a principal igreja de peregrinação de Tinos, e a partir de 1868 estudou com Piloty. Em 1872 Gyzis voltou à Grécia por dois anos, e em 1873, com Nikiforos Lytras, que o museu chama de seu amigo, conterrâneo e professor, viajou ao Oriente, à Ásia Menor. Em 1874 se instalou de vez em Munique, tornou-se professor da academia e nunca mais voltou para a Grécia. Pintou O noivado das crianças no seu ateliê de Munique em 1877, de memória e a partir dos esboços daquela viagem, e, segundo a galeria, o quadro tem duas versões, e ambas foram premiadas.

O noivado das crianças
O noivado das criançasNikolaos Gyzis, 1877, Galeria Nacional de Atenas

A luz entra no cômodo por uma janela branca e funda à esquerda, e o que há de mais claro no quadro são o vestido da menina e a toalha bordada. No canto inferior direito Gyzis amontoou tecidos listrados, vermelhos e dourados, um caldeirão de cobre, pratos de estanho e um fez vermelho, e o museu explica esse monte pela vontade de mostrar texturas, do cobre brilhante à seda.

10. Eis que vem o Esposo — Nikolaos Gyzis

Eis que vem o Esposo
Eis que vem o EsposoNikolaos Gyzis, 1899, Galeria Nacional de Atenas

Eis que vem o Esposo à meia-noite é cantado nas igrejas ortodoxas nos primeiros dias da Semana Santa, e as palavras vêm da parábola evangélica das dez virgens. Foi com o nome desse tropário que Gyzis batizou o último grande quadro que pintou em Munique, em 1899–1900. O tema, segundo o museu, é a Segunda Vinda tal como o Apocalipse a descreve, e numa carta citada pelo museu Gyzis fala do seu Cristo como de um deus cheio de doçura, que traz ao mundo luz, salvação e consolo.

A tela é quadrada, com dois metros de altura e outros tantos de largura, e tudo nela se organiza em torno de um eixo vertical. Entre duas largas faixas de preto-azulado sobe um campo vermelho-alaranjado, e no centro dele, num trono, está sentado um Cristo pequeno, quase branco, de auréola dourada. Ao redor dele se abrem em arcos, como uma abóbada, nuvens vermelhas e alaranjadas, acima dele paira uma figura alada de braços erguidos, dos lados estão anjos, e dois deles têm trombetas bem visíveis. De baixo sobe até o trono uma larga escada azul-pálida, riscada de finas linhas douradas. Os degraus estão vazios, e dos dois lados deles se aglomeram de joelhos pequenas figuras com auréolas douradas. Muitas figuras estão apenas contornadas sobre uma camada fina de tinta, e através dela aparece o tecido da tela.

Gyzis concebeu essa composição muito antes, e já numa carta de 1894 menciona um paraíso, o Eis que vem o Esposo, na esperança de ter forças para pintá-lo. Em 1900 o quadro foi exposto em Munique. Fazia parte de um grande ciclo religioso que Gyzis não chegou a terminar, e a zona inferior, com a Queda de Satanás, segundo o estudioso Spyros Petritakis, ele nunca pintou. Gyzis morreu em Munique em janeiro de 1901. O mesmo Petritakis escreve que em 1910, em Munique, o filósofo Rudolf Steiner dedicou uma conferência inteira a esse quadro.

11. No terraço — Iakovos Rizos

No terraço
No terraçoIakovos Rizos, 1897, Galeria Nacional de Atenas

Num terraço de mármore, um oficial está sentado de perfil numa cadeira escura, de pernas cruzadas, com um dólmã preto de gola alta, calças azuis com uma larga lista carmesim e botas altas com esporas. Ergueu a mão direita, de palma aberta, no meio de uma frase, e na esquerda, abaixada, segura um livrinho vermelho, marcando a página com o dedo. O museu o chama de belo oficial de cavalaria. O crítico Christoforos Marinos analisou em 2023, para a revista LiFO, as insígnias da gola dele, uma granada flamejante e três estrelas, e concluiu que se trata de um coronel de artilharia. O quadro foi pintado em 1897, quando a Grécia perdeu em um mês a guerra contra a Turquia, e Marinos vê nele uma cena à sombra dessa guerra, em que um oficial descansa entre damas no ano da derrota.

Ao lado dele estão duas moças. Uma, de blusa branca de mangas bufantes, apoia as duas mãos na balaustrada, a outra, de vestido rosa, se recosta numa poltrona de madeira curvada e apoia os pés num banquinho. Marinos observa que os rostos delas são muito parecidos e admite que uma só modelo tenha posado para Rizos. À direita, numa mesinha com incrustações de madrepérola, há uma jarra de vinho rosé e três taças, e à esquerda, ao longe, acima das árvores, se ergue a Acrópole, rosada na luz da tarde. O museu escreve que é o terraço de uma casa neoclássica na Plaka, o velho bairro ao pé da Acrópole, enquanto Marinos considera a vista inventada.

Segundo Marinos, Rizos vivia em Paris desde 1875 e montou a Atenas deste quadro de memória e a partir de álbuns de fotografias. Estudou com Alexandre Cabanel e pintava damas elegantes em salões e jardins. A assinatura “Rizo 97” está embaixo, à esquerda, nos ladrilhos do piso. Em 1900, na Exposição Universal de Paris, o quadro recebeu uma medalha de prata, mais tarde o pintor o doou à galeria, e em 2021 o Louvre o pôs no cartaz da sua exposição Paris-Atenas. O nascimento da Grécia moderna, 1675–1919.

12. O butim — Théodore Ralli

O butim
O butimThéodore Ralli, Galeria Nacional de Atenas

Théodore Ralli pintou este tema pela primeira vez em 1885, e nesse quadro, que está numa coleção particular, a cativa grega está de pé, submissa, entre soldados turcos e os bens saqueados. Para o Salão de Paris de 1906 ele pintou a cena de novo e tirou os soldados. A moça está sozinha numa igreja ortodoxa devastada, descalça, com a blusa rasgada até a cintura e as mãos amarradas nas costas, e olha direto para o espectador, de sobrancelhas franzidas e boca entreaberta. Na cabeça tem um lenço branco com uma fileira de moedas de ouro, uma trança desce pelo ombro, e na cintura há uma larga faixa vermelha.

Ralli nasceu em 1852 em Constantinopla, numa família de comerciantes originária de Quios, trabalhou pouco tempo na firma da família em Londres, depois foi para Paris e estudou com Jean-Léon Gérôme. A partir de 1875 expôs em todos os Salões, até 1904 passava os invernos no Cairo, pintava haréns, cativas e igrejas gregas e vendia o Oriente ao público parisiense. Morreu em 1909 em Lausanne. No catálogo do Salão, O butim vinha acompanhado de versos franceses sobre uma grega acorrentada que, em meio aos troféus, não derrama uma lágrima, desafia o vencedor turco e vai vingar os irmãos. O quadro pertence à fundação do empresário e colecionador Evripidis Koutlidis, e a galeria expõe a coleção da fundação junto com a sua por um acordo de longo prazo.

No chão da igreja estão amontoados os objetos do culto, cálices de prata e dourados, castiçais, uma lamparina, e atravessado no degrau do altar jaz um candelabro dourado tombado. Do teto pendem três correntes vazias, e Christoforos Marinos observa que nelas ficavam penduradas lamparinas. Sob o ícone de São João Batista está encostado um revestimento de ícone em prata cinzelada, com um recorte vazio no lugar do rosto. Embaixo, à direita, há um livro aberto de corte vermelho, e ao lado dele, no chão, uma vela branca, de cuja ponta ainda acesa sobe um fio de fumaça.

O butim
O butimThéodore Ralli, Galeria Nacional de Atenas

13. Concerto infantil — Georgios Jakobides

Quatro meninos descalços montaram uma orquestra num cômodo de casa de aldeia. Um está sentado a cavalo numa cadeira, de costas para nós, com uma baqueta de tambor, um ruivo, inclinado para trás, toca uma corneta de cobre, o pequeno atrás dele juntou as mãos diante da boca, e o quarto, esfarrapado, fica de lado e sopra o bico comprido de um regador de cobre, porque, como escreve o museu, não lhe coube nenhum instrumento de verdade. Quem os escuta são a jovem mãe, que segura no banco uma menininha de vestido vermelho (a menininha estende os dois braços para os músicos), e a irmã mais velha, loura, sentada à mesa. Segundo o museu, o cômodo é de uma casa de aldeia bávara.

Concerto infantil
Concerto infantilGeorgios Jakobides, 1900, Galeria Nacional de Atenas

A luz vem de dois lados, da janela à esquerda, coberta de folhagem, e de uma janela funda no centro, e o cômodo inteiro está banhado de laranja, com sombras azuis. A camisa branca do menino do tambor brilha com a luz que a atravessa. O museu considera o quadro um dos mais ousados de Jakobides e escreve que nele o pintor chegou perto do impressionismo. Jakobides pintou esse tema duas vezes. Uma versão anterior, mais fria, foi exposta nos anos 1890, inclusive em Atenas em 1896, e nela, a julgar pelas descrições, quem escutava as crianças era uma avó que tapava os ouvidos. A versão luminosa ele pintou para a Exposição Universal de 1900, em Paris, onde o quadro ganhou a medalha de ouro.

Jakobides nasceu em 1853 em Lesbos, estudou em Atenas com Nikiforos Lytras, a partir de 1877 na Academia de Munique, e viveu em Munique mais de 20 anos. Em 1900, o ano da medalha de Paris, o governo grego o chamou de volta para organizar a Galeria Nacional, recém-criada. O cargo dele se chamava éforo, isto é, superintendente, e em 28 de julho de 1900 a Escola Politécnica e a Universidade de Atenas lhe entregaram as 258 obras com que a galeria começou. Ele assinou o quadro embaixo, à direita, nas tábuas do assoalho, em maiúsculas gregas, “Γ. ΙΑΚΩΒΙΔΗΣ” e o ano, mas traçou a primeira letra do sobrenome parecida com um J latino. Em Munique ele assinava em letras latinas, Jakobides.

14. Delfos — Konstantinos Maleas

Delfos
DelfosKonstantinos Maleas, 1922, Galeria Nacional de Atenas

Maleas pintou Delfos em 1922–1923, olhando de cima para as montanhas, o vale e a água. À esquerda desce em diagonal uma encosta cinza-azulada e lilás, com sulcos escuros verde-azulados, o fundo do vale é ocupado por uma única grande mancha verde-escura, e através dela, a partir do canto inferior esquerdo, sobe serpenteando uma linha fina e clara, talvez uma estrada, talvez o leito de um rio. Mais acima há duas faixas de água azul-pálida, e atrás delas montanhas amarelo-areia e rosadas, iluminadas de frente, quase sem sombras. O que há de mais claro no quadro são as montanhas distantes, enquanto as encostas próximas e o vale são frios, cinzentos e verde-escuros. A tinta está aplicada em camada fina e seca, através dela se vê a trama da tela, e as formas estão simplificadas em manchas planas de bordas suaves. A assinatura “Κ ΜΑΛΕΑΣ” está embaixo, à esquerda, em letras vermelho-ferrugem.

Konstantinos Maleas primeiro se formou arquiteto em Constantinopla, onde nasceu em 1879, e estudou pintura em Paris entre 1901 e 1908, na Escola de Artes Decorativas e com o neoimpressionista Henri Martin. Em 1913–1917 foi engenheiro municipal em Tessalônica, e muitos dos seus quadros queimaram ali no incêndio de 1917. Nesse mesmo ano foi um dos fundadores do Grupo Arte, que Nikos Lytras reuniu para que os pintores enfrentassem juntos a pintura acadêmica.

A galeria coloca Maleas ao lado do pintor Konstantinos Parthenis entre os fundadores do modernismo grego. Maleas foi um dos primeiros a pintar a paisagem grega em planos de cor pura, sem o claro-escuro pardo de Munique, e em 1923 recebeu um prêmio de letras e artes. Em 1919 o Grupo Arte organizou uma exposição em Paris, inaugurada pelo primeiro-ministro grego Eleftherios Venizelos, e Maleas e Parthenis mostraram ali cerca de 30 quadros cada um.

15. O chapéu de palha — Nikos Lytras

O chapéu de palha
O chapéu de palhaNikolaos Lytras, 1925, Galeria Nacional de Atenas

O museu, ao descrever este quadro, fala de uma menina bronzeada e logo acrescenta que é uma menina, sim. A criança de cabelo escuro e curto, com uma mecha na testa, olha para o espectador com calma e sem sorrir, e o rosto poderia passar pelo de um menino. É um rosto queimado de sol, dividido pela linha do nariz, uma metade numa sombra marrom-escura, a outra numa luz laranja e quente. O chapéu largo, de palha verde-oliva e verde-amarelada, envolve a cabeça como um disco, e a menina veste uma camisa folgada cinza-azulada, de decote fundo, com um pequeno laço lilás.

Lytras juntou as cores frias embaixo e as quentes em cima. O cinza-azulado e o lilás passam da camisa para o muro caiado atrás da menina, mais acima há uma larga faixa de capim seco, dourado e laranja, cujo amarelo passa para a palha do chapéu, e o alto do quadro é tomado pelos cubos brancos das casas da ilha. O museu fala de um horizonte fechado, porque Lytras não deixou nem céu nem mar. A tinta é espessa, as pinceladas são largas, e por elas se vê em que direção e com que velocidade correu o pincel. O museu chama o quadro de ideograma do verão grego numa ilha do Egeu e diz que a ilha talvez seja Tinos, de onde vinha a família do pintor.

Nikos Lytras, filho de Nikiforos Lytras, o autor do retrato da senhora Serpieri, nasceu em Atenas em 1883 e estudou na Escola de Artes com o pai e com Georgios Jakobides. A partir de 1907, como o pai fizera antes dele, estudou na Academia de Munique, mas lá já encontrou o expressionismo alemão e os pintores do Cavaleiro Azul. Lutou nas Guerras Balcânicas de 1912–1913, em 1917 tomou a iniciativa de criar o Grupo Arte, e em 1923 foi eleito professor de pintura da Escola de Belas-Artes, vencendo Parthenis na eleição. Pintou O chapéu de palha por volta de 1925. Nikos Lytras morreu em dezembro de 1927, aos 44 anos.

O chapéu de palha
O chapéu de palhaNikolaos Lytras, 1925, Galeria Nacional de Atenas

O que mais ver

De Nikiforos Lytras vale a pena ver O canto fúnebre de Psará (1888), de Vryzakis, A recepção de Lord Byron em Missolonghi (1861), e de Gyzis, além das cenas gregas, as alegorias que pintou em Munique, A arte e seus espíritos e Sinfonia da primavera. De antes dos pintores de Munique, a coleção tem ícones pós-bizantinos, entre eles a Crucificação de Andreas Pavias, pintada na segunda metade do século XV. O século XX está representado pela Apoteose de Athanasios Diakos, de Konstantinos Parthenis (1930–1933), e pelo Ateliê, de Nikos Hadjikyriakos-Ghika (1960). O Moinho de Stammer com casa de verão, de Piet Mondrian, foi roubado da galeria em 2012 junto com a Cabeça de mulher de Picasso, e em 2021 foi encontrado numa ravina perto de Keratea.